Pode parecer brincadeira, mas teve gente que apostou nisso. E – pior – teve gente que viu nisso um inimigo a ser combatido. Em 1998, bem antes do DVD virar mania aqui no Brasil, saiu nos Estados Unidos um formato alternativo da mídia, o DIVX.

O nome DIVX não tem nada a ver com aquele famoso codec de vídeo (que na verdade escreve-se DivX). E o formato foi fruto da união entre uma fabricante de eletrônicos (Circuit City) e um escritório de advocacia de entretenimento (Ziffren, Brittenham, Branca e Fischer), que queriam criar uma alternativa para o decadente mercado de aluguel de vídeo.

O DIVX consistia num disco que parecia um DVD, mas tinha algumas diferenças. A principal: o filme contido nele desaparecia do disco passados dois dias da primeira execução. Se você quisesse assistir mais vezes, tinha que pagar uma taxa. O preço estipulado para cada disquinho era bastante popular – não deveria passar de US$ 4,50.

Como isso acontecia? Bom, assim que você usasse o disco, um código de barras contido nele era rastreado pela empresa que havia fabricado o player. Se você comprou um toca-DIVX, precisou fazer uma conta por linha telefônica para poder utilizá-lo – não era muito diferente de um pay-per-view. No começo, parecia que tudo ia fazer bastante sucesso – tanto que os aparelhos, inicialmente vendidos a preços caros, tiveram até um barateamento sensível.

O problema é que logo logo começaram a aparecer, digamos, inimigos do DIVX. Um agente imobiliário texano chamado John Giberson chegou a montar naquela época um site chamado BanDIVX. Que – mas pra que tanto ódio? – está no ar até hoje, trazendo apenas um artigo oferecendo aplicativos para assistir a filmes.

Como os disquinhos traziam apenas um trailer mínimo e nada mais, uma galera bastante numerosa começou a fazer campanhas de boicote conta os DIVX, com medo de que a indústria se desinteressasse de publicar DVDs – que vinham com montes de brindes, imagem com melhor definição, etc. Por outro lado, muita gente que não estava a fim de comprar um aparelho de DVD se indignou com o fato de que ia voltar a alugar filmes.

O SFGate chegou a fazer uma reportagem em 1999 (que tá na web até hoje) sobre a galera que ficou felizinha com o fim do formato. Além dos fabricantes de DVD e de uma turma de cinéfilos, um pessoal reclamou (com razão) que não havia privacidade envolvida, pois a empresa fabricante do player sabia quantas vezes você tinha assistido ao DVD e quantas vezes desejava mais assistir (faz sentido: imagina ligar para a empresa inúmeras vezes para renovar seu direito a assistir a um pornô?).

Entre idas e vindas, e acusações que iam de espionagem (por causa das malditas contas) até estratégias de competição maldosa (já que o produto sequer foi lançado direito no mercado e já estava sendo considerado uma passada de mão na bunda da indústria de DVDs), o DIVX foi descontinuado em 16 de julho de 1999. E os compradores, como fizeram? Bom, o aparelho de DIVX podia tocar DVDs comum, então sem problemas quanto a isso. Os discos DIVX poderiam ser assistidos sem que fossem necessárias renovações, mas dentro de um prazo que acabava em 30 de junho de 2001. Quem ficasse muito puto com isso, poderia optar por um reembolso.

Há dois anos, um youtuber tentou tocar um DIVX e gravou a experiência em vídeo. Confira aí por sua conta e risco.