Um dos músicos mais influentes da história do soul, seja solo ou com seu primeiro grupo, The Impressions, Curtis Mayfield (1942-1999) ganhou aquela que é tida como sua biografia definitiva só ano passado, Travelling soul, escrita pelo filho Todd Mayfield. Demorou, mas ainda vem mais: o cantor Lionel Richie e a viuva de Curtis, Altheida Mayfield, entraram num acordo a respeito da produção de um filme biográfico sobre o cantor. O projeto sai pela empresa de Richie, RichLion.

“É uma honra para mim levar a vida de um dos meus ídolos e amigos para a tela”, contou Richie num comunicado. “Sou grato de estar trabalhando de perto com a família e o espólio de Curtis e não poderia estar mais feliz de estar levando adiante esse projeto fantástico sobre um músico fora de série”. Altheida completou o comunicado de Richie dizendo que chegava a hora de “celebrar e reavaliar o seu legado. Por vários anos, muitos outros tentaram reclamar coautoria de coisas que ele fez sozinho. Ele era um gênio”.

Mayfield, se você nunca ouviu nada dele, era barra pesadíssima, musicalmente falando. Começou a compor aos 11, aos 14 foi cantar com o grupo soul The Impressions e até morrer, foi o autor de mais de 1.900 (!) músicas. Foi também um pioneiro da abordagem de temas sociais em músicas – muito da vivência dos negros norte-americanos foi parar nas letras dele. Em 1990, sofreu um acidente gravíssimo quando um poste de luz caiu em cima dele durante um show ao ar livre. Ficou tetraplégico e passaria sete anos sem lançar disco (New world order saiu em 1997 e foi seu último trabalho).

Só tem tempo de ouvir uma única música de Curtis agora? Então pega aí Freddie’s dead, composta por ele para a trilha de um clássico da blaxploitation, Superfly (1972).

Depois volte aqui e ouça a faixa de abertura de Curtis, o primeiro disco solo dele, de 1970, (Don’t worry) If there’s a hell below, we’re all going to go.