Morto aos 70 anos no domingo (23), Jerry Adriani vai deixar muitas saudades. Grande cantor, figura humana descrita com as melhores palavras por amigos e fãs, e um artista com origem na Jovem Guarda que, à maneira do amigo Erasmo Carlos, sempre dialogou com vários estilos musicais e outras gerações da música pop. Quem acompanhou as redes sociais e os jornais de domingo para cá viu um vasto material a respeito de Jerry, e descobriu coisas bem legais. Olha aí.

CLARO QUE É ROCK. Em 1985, quando a Legião Urbana começou a fazer sucesso, não faltou gente reparando que a voz de Renato Russo era igual a de Jerry Adriani. Os dois sempre tiveram admiração mútua – Renato chegou a afirmar numa entrevista para a Bizz em 1987 que “no começo, ficavam forçando para a gente falar mal do Jerry e ele falar mal da gente”. E Jerry despertava admiração em (e dividiu o palco com) outras figuras dos 1980.

FOTOS FODAS. Teve gente que aproveitou para compartilhar momentos bastante raros do cantor.

Colegas de gravadora nos anos 1970, Roberto e Jerry tinham até lá suas semelhanças no visual na época.

O encontro de ninguém menos que George Harrison com Jerry, quando o ex-beatle veio ao Brasil em 1979, para uma visita curta e sem nenhum show

E isso sem falar nas fotonovelas das quais ele participou – e das quais se orgulhava bastante, já que em seu site oficial há até um link para baixar duas delas.

ZECA PAGODINHO. Pouca gente devia saber disso, mas ele e o sambista eram amigos. No dia da morte de Jerry, coincidentemente, o jornal O Globo publicou uma entrevista com Zeca, que tinha resolvido não fazer sua tradicional festa de São Jorge e explicava o motivo. “O Rio de Janeiro nessa bagunça que está, nessa crise que abalou todo mundo… E muitos amigos meus doentes, como Arlindo, Luiz Melodia, Almir Guineto, Jerry Adriani”, contou. Jerry morreu justamente no dia 23 de abril, Dia de São Jorge, santo de devoção de Zeca.

FALANDO NO ROBERTO… Ele e Jerry foram da gravadora CBS (hoje Sony) durante os anos 1960 e 1970 e trilharam lá suas carreiras de cantores românticos. Por acaso, praticamente toda a geração romântica da Jovem Guarda que começou na CBS foi deixando a gravadora, com caminho livre para Roberto. Menos Jerry, que segundo o pesquisador Marcelo Froes neste artigo para O Estado de S. Paulo, nunca viu o amigo como ameaça. “Jerry Adriani nunca teve problemas em ser o segundo cantor mais importante da CBS”, escreveu.

CHAMANDO RAUL. Jerry foi o grande descobridor de ninguém menos que Raul Seixas – usou o roqueiro e sua banda Os Panteras como grupo de palco na Bahia, quando se viu sem músicos de apoio. Bom, isso muita gente sabia, assim como não era lá muito desconhecido o fato de que seu hit “Doce doce amor” era uma parceria de Raul Seixas e o produtor Mauro Motta. Mas teve gente que aproveitou para redescobrir outros dois clássicos de Jerry que tiveram Raul como autor.

E ainda tem a balada “Ainda gosto dela”, creditada a Plínio e Serrão, que são nada menos que… Plinio Seixas, irmão mais novo de Raul, e o baiano Waldir Serrão, parça de Raul em várias aventuras desde a adolescência e grande artífice do rock soteropolitano.

E RIP Jerry Adriani, cuja Missa de Sétimo Dia acontece neste sábado (29) ao meio-dia na Igreja da Imaculada Conceição, em Botafogo, Zona Sul do Rio.