Precisei voltar a essa matéria algumas vezes para ter certeza de que não estava viajando. Uma reportagem do site Snow Brains publicada no dia 20 de setembro explica que cabras montanhesas do Olympic National Park, em Washington, estão ficando viciadas no sal encontrado na urina e no suor dos visitantes do parque. Tão viciadas, por sinal, que tornaram-se agressivas e ameaçam os próprios visitantes. Em 2010, um trilheiro de 63 anos morreu após levar uma cabeçada de um bode de montanha.

A solução para esse problema? Bom, a organização do parque resolveu fazer o mais óbvio, que é pedir aos mijões que não se aliviem no caminho. Mas também está fazendo o transporte aéreo 375 das cabras para áreas próximas ao seu habitat natural (!). De acordo com o texto, a ideia era voar com cem cabras até 24 de setembro. Em doze meses, levariam quase todas. E ainda haviam 300 animais que não poderiam ser capturados – nesses, as autoridades iriam atirar e pronto.

Diz o texto que “as cabras são frequentemente acusadas de danos ambientais, mastigando e pisoteando a vegetação. Elas foram introduzidas nesta área na década de 1920, antes de o parque ser estabelecido e antes que caminhantes suados passassem a passear pelas colinas. E seu número cresceu de forma constante desde então”.

Se no Brasil visitar qualquer sistema de comentários dá tristeza, vale dizer que está rolando uma discussão civilizada a respeito da eficácia e do fator ecológico desse tipo de atuação nos comments do texto original do Snow Brains. Uma moça chamada Sarah sugere que o parque deixe cair sais pelo chão, a fim de que as cabras se alimentem e não precisem ingerir suor ou urina. Já uma outra mulher que se diz criadora de cabras diz que recorria ao mesmo expediente e anuncia que “se as cabras da montanha estão tendo que recorrer a encontrar minerais na urina e suor humano, o resto do parque está em sérios apuros. E isso inclui os cervos, alces, ursos e grandes felinos”.

Bom, tem um sujeito chamado Robert que diz que nada disso adiantaria. “A urina tem compostos aromáticos muito específicos para cada espécies. As ovelhas tornam-se dependentes desse perfil aromático específico. Colocar salinas também atrairá outros animais, causando ruptura no equilíbrio natural e dependência da interação humana. E essas cabras montanhesas não são nativas da Península Olímpica. Estão se movendo de volta, sendo levadas para casa”.