A vida do goleiro Moacir Barbosa Nascimento (1921-2000), ou simplesmente Barbosa, não foi nada mole após a Copa de 1950, realizada no Brasil. Ele levou o gol que definiu a derrota do Brasil para o Uruguai, no último dia da competição, no Maracanã. Barbosa continuou jogando até bem depois da Copa, vinha de uma carreira boa no Vasco da Gama, mas acabou ganhando o indesejado estigma de “responsável pela derrota do Brasil”.

Era bastante injusto. Em entrevistas, Barbosa disse ter ouvido de uma mulher na rua que ele era “o homem que fez o Brasil chorar”. E afirmou que, no dia da final da Copa de 1950, seus vizinhos no bairro carioca de Ramos tinham armado um banquete na rua, esperando pela vitória. O goleiro só descobriu isso quando passou por ali de carro, e viu que um vento havia tirado as toalhas que cobriam as mesas. “A derrota calou tão fundo, que ficou aquela porção de comida que ninguém comeu. Nem os cachorros avançavam na comida”, recordou, na conversa abaixo.

Barbosa entrou numa enorme depressão após a derrota e sofreu com a incompreensão até de colegas. Sem falar no racismo, já que não é difícil escutar gente falando até hoje imbecilidades como “não confio em goleiro negro”, etc. Seu drama acabou gerando um curta-metragem bem legal em 1988. Legal e triste, ao mesmo tempo. Barbosa teve direção de Ana Luiza Azevedo e Jorge Furtado, e roteiro também dos dois, ao lado de Giba Assis Brasil. O filme traz Antônio Fagundes interpretando um cara que construiu uma máquina do tempo só para voltar a 1950 e tentar fazer Barbosa pegar o gol perdido. É o grande sonho de muita gente até hoje. Confira aí e aguarde: em algum momento alguém vai pensar numa máquina do tempo para impedir o 7×1.