Acharam de novo um dos maiores tesouros escondidos da história do cantor, compositor e não-músico Brian Eno. É o documentário Eno, de 24 minutos, dirigido em 1973 por um cara chamado Alfons Sinniger e que basicamente trata da gravação do primeiro disco solo dele, Here come the warm jets, lançado em 1974. Esse filme já esteve no YouTube, sumiu, voltou e sumiu de novo, e raramente foi exibido desde 1973. Se você perguntar pra qualquer fã de Eno, é um dos itens mais procurados da história do artista.

O filme traz imagens raríssimas de Brian. Ele aparece em estúdio com o guitarrista Chris Spedding e outros músicos. Também aparece se maquiando (era o período glam), mexendo na mesa de som, andando pelas ruas. Esqueletos de clássicos como Needles in the camel’s eye e Blank Frank aparecem no filme. Eno também é ricamente ilustrado com desenhos do próprio produtor, que diz ter pensado em ser pintor aos 16 anos. Uma curiosidade pra fãs roxos é uma cena da estilista Carol McNicoll costurando roupas de palco que ele usava.

Brian também aparece trabalhando com a Portsmouth Sinfonia, orquestra que incluía não-músicos – ou músicos tocando instrumentos com os quais não estavam acostumados. Você já leu sobre isso aqui. Apesar dos resultados malucos que essa orquestra alcançava, não era pra rir e não era comédia: a ideia era que os músicos se concentrassem e tentassem ter os melhores resultados.

Eno mostra uma época em que Brian Eno, então apenas o ex-tecladista do Roxy Music, flertou com uma carreira musical mais formal. Ele mal costumava aparecer no palco quando tocou no Roxy Music. No começo, preferia ser apenas o-cara-que-operava-a-mesa-de-som, até que passou a ter um papel mais significativo na banda, como tecladista e operador de sintetizadores. No filme, ele chega a aparecer no palco tocando Re-make/Re-model com a banda. É o vídeo que aparece abaixo, um dos rastros de Eno no YouTube.

Ao sair do Roxy, gravou discos de rock com um pé no eletrônico, como Here come the warm jets, Taking tiger mountain (By strategy) (1974), Another green world (1975) e Before and after science (1977). A ficha técnica de cada um desses LPs era um guarda-chuva de super-músicos, indo de Robert Fripp (guitarra) e Phil Collins (bateria).

Tem outros trechos do fime ainda restantes no YouTube. Alguns estão no vídeo abaixo: é um clipe amador de King’s lead hat, de Brian, que traz imagens do artista andando pela rua, gravando em estúdio e se maquiando em casa – todas tiradas do filme.

Essa sequência de imagens, por sinal, tinha sido feita em 1986 para aparecer como ilustração de uma entrevista de Eno ao programa The tube, num papo comandado por ninguém menos que Jools Holland. Olha aí o papo na íntegra.

De nada!